A Governança Corporativa na crise do COVID-19

Autor: Miguel Vieira*

 

As boas práticas de Governança Corporativa podem ser um diferencial para um melhor enfrentamento, pelas empresas familiares, da atual crise mundial vivenciada a partir da pandemia do COVID-19. As famílias empresárias que realmente praticam os princípios da transparência, prestação de contas, equidade e responsabilidade corporativa poderão agir de forma mais eficiente e assegurar a longevidade de sua organização empresarial.

Nesse sentido, as lideranças da família empresária devem definir um plano de ação para uma célere resposta aos problemas motivados pela atual crise econômica-financeira, além de observar todos os cuidados necessários para o isolamento social, conforme determinação das autoridades de saúde. A gestão dos riscos corporativos é uma grande preocupação de todas as organizações, nesse momento crítico, uma boa prática é a criação e funcionamento de um Comitê de Gestão de Crise para fins de atualização permanente da crise e acompanhamento das medidas adotadas.

Além disso, o Conselho Consultivo ou de Administração da empresa familiar será um aliado estratégico para definir quais são as medidas prioritárias e quais são as oportunidades que podem surgir nesse momento. Á título ilustrativo, a transformação digital do modelo de negócio pode ser uma nova estratégia da organização que rapidamente passou a prestar serviços ou comercializar seus produtos de forma eletrônica e não presencial.

Em alguma medida, os sócios também podem ser convocados a reinvistir seu capital na empresa pela total ausência de recursos financeiros da companhia ou abrirem mão dos seus dividendos para pagamento dos compromissos em decorrência da perda de faturamento. O alinhamento entre os interesses dos sócios frente às necessidades da organização será mais facilitado caso tenha sido celebrado um Acordo de Sócios, em que são pré-estabelecidas algumas hipóteses em que os sócios poderão participar, de forma proporcional, a sua participação societária, sem que sua posição acionária seja diluída por evento inesperado, alterando assim a atual composição societária do capital social.

No modelo dos três círculos da empresa familiar, importante destacar que a família terá um papel relevante para a disseminação dos valores e princípios que motivarão a organização e a sua relação com todas as partes relacionadas, sendo um instrumento valoroso para incentivar a solidariedade e auxílio para as pessoas e comunidades com menos recursos. Ademais, muitos familiares podem ter algumas dificuldades pessoais e de saúde e poderá o Conselho de Família exercer um fundamental auxílio para as novas gerações compreenderem o momento atual.

Nessa linha, destaca-se a atuação do NEXO – Governança Corporativa (www.nexogc.com.br) que notabiliza-se por ser uma associação formada por fundadores e membros de empresas familiares, de nossa região, para o incentivo à adoção de boas práticas de Governança Familiar e Corporativa para assegurar melhores condições de garantir a longevidade das empresas familiares. A partir de uma maior união e organização entre os membros da família empresária será possível assegurar o enfrentamento dos enormes desafios causados por uma crise mundial causada, pelo COVID-19, de efeitos tão drásticos e imprevisíveis para a nossa sociedade.

 

*Artigo originalmente publicado no Jornal NH online, dia 15 de abril de 2020


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